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O Medo

 

Falar sobre esse tema significa falar sobre uma questão da humanidade.

As formas de medo sempre se transformaram ao longo das culturas.

Antigamente tinha-se medo de epidemias, catástrofes, etc.., e a gente tinha medo de transgredir normas, medo de purgatório, do castigo de Deus.

Alguns medos são muito conscientes, outros inconscientes, uns próximos, outros distantes.

Há também formas mais sutis de medo : de lugares abertos, de cair, de não corresponder a determinadas regras, medo de ser desmascarado, medo de si mesmo diante do seu vazio interior, e, diante deste, tenta-se preenchê-lo com sensações : álcool,drogas, tv, etc..Medo dos seus lados escuros, e daí rejeição a toda crítica porque significa ter de olhar os pontos fracos no espelho.

Ao lado do medo da morte, existe o medo da vida, do futuro que sempre traz fatos novos.Viver adentrando o futuro significa abandonar antigas seguranças.

De onde estes medos em verdade provém , e que tarefas nos colocam ?

Conviver com criança pequena nos ensina que medo tem a ver com desenvolvimento. Em cada fase da vida os medos são diferentes. Desenvolvimento significa caminhar para dentro do desconhecido, do escuro, se confrontar com novos medos e sua superação.

O recém nascido tem medo da separação física quando, ao se cortar o cordão umbilical, passa pela primeira delas de fato ; durante o primeiro ano esse medo é o mais aparente, mas ao lado deste, há o medo da ameaça, o que é de fora e estranho que ameaça o aconchego. A alternância entre medo e aconchego é necessária para que a criança sucessivamente aprenda a superar o medo.

O medo não quer ser impedido, quer ser superado.

Medo fortifica a auto confiança. O suportar o medo, desenvolve uma “consciência de eu”, de si mesmo. A auto consciência é um presente do medo.

Segundo Rudolf Steiner, o sentido mais profundo de se viver na Terra é o desenvolvimento da auto consciência. Estar separado é necessário para a auto consciência, olhar o mundo de fora, se sentir expulso. Existe também uma vivência do medo que é muito mais anímica do que física : a criança quer um aconchego diferente, ela quer ser vista, admirada, saber se os pais a tem na sua consciência, por assim dizer. Com o amadurecimento, a criança procura a mãe com o pensamento.

Então, do medo existencial corporal que está nos ossos, se passa ao medo mais anímico, de invasão e, depois, para um medo mais espiritual que se pode resolver ao nível do pensamento.

Nestes primeiros anos da infância vemos portanto uma tríplice formação que se espelhará por toda a vida : dos 0 aos 7 anos é uma sensação que ameaça a existência física, dos 7 aos 14, medo de perda emocional, dos 14 aos 21 surge muito mais um medo consciente, um sentimento de ter de viver sob responsabilidade própria e não se sentir pronto para isso.

Um adolescente precisa ganhar compreensão sobre aquilo que o amedronta e não mais consolo ou aconchego. Dos 21 aos 40 anos aproximadamente, o indivíduo quer providenciar sua própria existência física e anímica, e lá pelos 60 anos, trata-se de conquistar um novo conteúdo de consciência – as questões da morte, depois da morte, da sua existência mais perene, espiritual.

O medo ligado à separação é mais na mulher e o medo de ameaça (de fora) é mais no homem.Para o primeiro, que é mais desencadeado por dentro, valem as orientações anteriores ; o segundo tipo de medo é mais difícil de superar porque o meio ambiente é realmente mais ameaçador , por ex : assaltos, poluição ambiental, guerras, fatos objetivos que não podem se tornar inexistentes com argumentos. Para com estes devemos adquirir uma relação consciente, ao nível do pensar. Precisamos aprender a reconhecer esses perigos como pertencentes ao desenvolvimento. Se esse medos ficarem no plano da alma, serão insuperáveis, e isso vai ser passado para as crianças. Temos que trabalhar numa superação espiritual dos medos.

Não se deve produzir mais consciência do que se é capaz de digerir .

Conhecer algo sem saber o real sentido traz medo. Morte e destruição fazem parte da vida e esse é o lado de luz da consciência. O novo só pode surgir quando o velho morre. Como seria o estado do mundo se plantas e animais não morressem ?

Em pensamento podemos nos elevar à eternidade da própria essência, à indestrutibilidade da vida. Vivencia-se como ser dotado de “Eu”, e por causa disto, se pode pensar, ou, mais que isso, vivenciar-se como pensamento.

Sabemos que pensamentos podem se encarnar ; são visíveis quando se encarnam nos fenômenos e são indestrutíveis. Fazem parte de um cosmos onde todos os pensamentos estão interligados. Se me vivencio como um pensamento que se encarnou na Terra, posso conquistar uma relação bem diferente com este mundo e com os medos. A gente vem de um mundo sem separação e, uma vez na Terra, temos que vivenciá-la. O homem tem um período em que vive no mundo terreno onde, para desenvolver a auto consciência, tem de viver o medo.

Adultos que trabalham na superação espiritual dos seus medos neste nível mais elevado, podem transmitir aos filhos que é possível passar por eles nesta vida e superá-los.

O medo é um fenômeno acompanhante do “estar encarnado” e, na superação, experimentamos a força do “Eu”.

Quanto mais nos agarramos à matéria e procuramos a segurança no mundo material, tanto maior o medo, mais egoísta o “Eu”, e mais ameaçador os outros “Eus”.

O medo no nosso tempo, é um desafio de se ancorar a consciência do si mesmo em um plano espiritual e, a partir daí, construir um fundamento no social .

Confiança nos outros homens é algo que o medo quer nos educar, assim como confiança no mundo espiritual.

 

Alexander Boss    17/03/1993

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por corpoconsciente

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